17/05/2023
Parto Normal ou Cesárea
Mesmo com medo da dor, eu queria muito o parto normal. Mesmo insegura sem saber o que enfrentaria, eu sabia que era o melhor para o bebê e para mim.
Durante todo o pré-natal falávamos muito disso com a nossa obstetra. Realizei atividades físicas a gestação inteira, hidroginástica antes da academia fechar por conta da pandemia, drenagem linfática e caminhadas. Tive uma gestação bem ativa mesmo na pandemia.
Tudo ocorreu muito bem. Descobrimos uma placenta bilobada com 5 meses. Ela se dividiu ao meio, apenas precisávamos monitorar com mais frequência. Com 37 semanas intensificamos os exercícios, até corrida a médica liberou, muitas tâmaras, exercícios para o assoalho pélvico, tudo a espera dos sinais para o Enrico nascer.
Quando realizamos o ultrassom de 40 semanas, os exames apresentaram uma pequena alteração nos fluxos sanguíneos para o Enrico, que poderia ter ocorrido por conta da placenta. No dia 01 de julho, o médico do USG que nos acompanhou durante a gravidez toda achava prudente não esperar mais pelo parto normal e realizar a cesárea por conta desses exames. Ele ligou para a minha médica e ela me ligou. Lembro perfeitamente daquele dia. Estava muito frio, um céu muito azul e ela falou para mim: vamos conhecer o Enrico hoje? Está um dia lindo!
Escrevo para vocês como uma doce lembrança, mas depois que ele nasceu, por alguns meses eu chorava muito em recordar esse momento e os vídeos do parto.
Eu preparei uma Playlist para o parto normal. Quando já estávamos na sala de cirurgia, a Dra comentou sobre a minha Playlist, pois era para colocarmos e ele nascer com as músicas que tínhamos preparado. Muito cuidado e amor pela equipe que nos acompanhou.
Foi tudo muito rápido. Eu estava com medo da anestesia, ansiosa para ver o rostinho do Enrico pela primeira vez. Tudo muito intenso, novo e desconhecido.
Eu lembro que olhava para o relógio. O parto começou 17:45 e o Enrico nasceu as 18:01, ao som de King of Kings da Hillsong. Como chorava por lembrar desses detalhes. Papai viu ele primeiro, muito emocionado!
Tivemos nossa Hora Dourada. Enrico ficou nos meus braços desde os primeiros minutos de vida. Só saia de perto de mim para realizar os exames necessários.
Deus é bom em todo tempo e tudo ocorreu bem. Nós estávamos bem e saudáveis. Mas confesso que não foi a melhor experiência para mim.
Eu queria o parto normal, eu desejei por aquele momento. E como o Enrico não tinha dado sinais para nascer, sem contrações, nada… o único sinal que ele deu foram as alterações nos exames, mas eu não conseguia aceitar por alguns motivos.
Eu deveria ter insistido na indução do parto? Eu deveria ter solicitado mais exames ou invés de ir para a cesárea? Fiquei com essas dúvidas mesmo nossa médica ter conversado conosco.
Tive um intenso puerpério e baby blues, eu chorava em lembrar que tinham tirado ele de dentro de mim, saudades dele dentro da barriga. Foi muito intenso viver tudo aquilo sem considerar a dor tremenda do pós operatório.
O tempo passou e hoje eu aceitei a cesárea. Foi rápido, dolorido e intenso. Mesmo com essa experiência que eu não desejava, hoje se precisasse realizar novamente eu estaria preparada e mais tranquila.
E o mais importante para o meu aprendizado e dificuldades da maternidade, é aceitar a minha realidade e o que funciona para o meu bebê e minha família. Sempre ouvimos boas histórias, cobranças e comparadores e isso nos adoece como mãe e mulher. Talvez se eu não tivesse sido cobrada que só o parto normal era bom, não teria sofrido tanto. Teria aceitado a nossa realidade.
A maternidade é assim, nos vira do avesso, transforma e faz aceitarmos o que não podemos mudar e agradecer por todas as coisas.