O Milagre Do Mioma Parido
Em 2017, nos exames de rotina, apareceu um mioma no meu útero de 2 cm. De um ano para o outro o mioma cresceu muito, indo para 6 cm. Aquilo era algo que me tirava o sono, pois meu sonho era ser mãe e poderia impactar nessa realização. Tinha pavor em pensar numa cirurgia no útero.
Fui em alguns ginecologistas, queria várias opiniões sobre o assunto e um deles, me direcionou para realizar uma cirurgia chamada embolização de mioma. Você já ouviu falar nesse procedimento? A embolização é um método novo de tratamento dos miomas. O procedimento envolve a introdução de um cateter na virilha por meio de uma pequena punção para interromper o sangue que nutri essa artéria formando o mioma.
Realizei a cirurgia e ocorreu tudo bem, porém com um pós-operatório bem traumático. Tive uma péssima experiência no hospital, e para ajudar cefaleia pós-raquianestesia. Foram dias intensos. Lembro das noites em claro com minha mãe cuidando de mim. Eu acordava gemendo de dor e só tomando um simples paracetamol devido eu ser alérgica a dipirona, e, o médico não receitou um outro medicamento mais forte.
O sufoco dos 15 dias passou. Tudo caminhando bem, dentro da normalidade após a embolização do mioma.
Um belo dia, três meses após a cirurgia eu estava em um workshop do trabalho e, comecei a sentir uma dor muito forte. Entrei em contato com o médico da cirurgia e ele não deu muita importância e nem sabia explicar o motivo daquela dor.
Era um feriado e as dores começaram a se intensificar. Eu e o André tínhamos um namoro a distância, tudo o que eu menos queria era estar com aquela dor bem no final de semana que ficaríamos juntos, mas não teve jeito, hospital e mais hospital naquele feriado.
Fiz uma bateria de exames e alguns laudos errados, cada plantonista falava um diagnóstico diferente, o último disse que eu estava com infecção no útero.
Passou o feriado e na 2ª feira eu fiquei em casa de repouso. A minha situação só piorava e muita hemorragia. No final daquele dia, eu liguei para minha irmã pedindo oração, eu estava emocionalmente e fisicamente muito abalada. No momento da oração, eu senti o meu corpo queimar, como se estivesse com febre.
A noite não foi boa e eu fui para o hospital novamente. Em consulta com uma outra plantonista, após minha 4ª ida ao Hospital, ela me encaminhou para o cirurgião ginecológico, o Dr. Francis Helber (jamais vou esquecer). Ele foi muito atencioso, me tranquilizou dizendo que tudo ficaria bem. Quando ele foi olhar os meus exames realizados no feriado, identificou que eu estava expelindo o mioma e por isso todos aqueles sintomas. Nada disso era para ter acontecido, pois o padrão da embolização é de o mioma permanecer no útero e diminuir cerca de 30% do tamanho, nada mais.
Fiquei a base de Tramal por uma semana, santo remédio que eu poderia ter tomado naquele pós-operatório tão sofrido que eu tive. Essa uma semana de repouso e remédio, seria o prazo máximo para o meu corpo reagir e depois realizaria uma nova cirurgia, mas dessa vez teria que abrir o útero.
No domingo à noite, finalizando aquela semana difícil, eu e o André estávamos em casa e algo surpreendente aconteceu. Quando eu fui ao banheiro, eu senti o mioma sair. Eu fiquei anestesiada na hora pois não estava entendendo tudo aquilo. Enviei uma mensagem para o médico da cirurgia com a foto do mioma do tamanho de um limão e, ele confirmou que eu tinha expelido.
Naquela noite, eu chorava muito, ajoelhada em minha cama agradecendo a Deus pelo milagre. E uma música marcou esse momento para mim: “Se eu apenas te tocar, um milagre viverei em minha vida. Minha fé vai me levar, onde o impossível torna-se real”. Não tinha explicação, um mioma daquele tamanho ser eliminado um dia antes de outra cirurgia. E, o médico que realizou o procedimento disse que só viu mulheres expelirem miomas de 1,5 cm e não 6 cm como o meu.
Na 2ª feira fiquei muito cansada, como se meu corpo tivesse trabalhado intensamente para eliminar o mioma. Realizei mais uma bateria de exames e nada tinha, meu útero estava intacto, novo e tudo regulado. E como meu sonho sempre foi ser mãe, em uma das consultas com o Dr. Francis ele me indicou a Dr. Silvia Haick obstetra especializada em parto humanizado para ter aquele contato para quando eu engravidasse. Não sabia o que o futuro me esperava e ela fez o meu parto 3 anos depois.
Foi a maior, dolorosa e intensa experiência que eu vivi. Aquilo mudou a minha fé e história de vida. Quebrei alguns padrões e religiosidade. Comecei a enxergar o amor de Deus de outra forma, acreditar sem duvidar em milagres.
Muitas vezes não entendemos o porquê certas situações em nossas vidas acontecem, mas no amor ou na dor, não podemos deixar nossa fé ser abalada e acreditar que tudo tem um propósito.
Hoje, olhar o Enrico, é relembrar com muita frequência de toda a minha história. Eu não sabia que a embolização de mioma poderia impedir de um feto permanecer no útero. E o Enrico ficou e nasceu em meio a uma placenta bilobada, que contarei para vocês por aqui. Lembro continuamente os meus milagres com o coração cheio de gratidão por Deus ter permitido que eu vivesse aquela dor, para sentir o verdadeiro amor.